terça-feira, 14 de setembro de 2010

"Quem sabe faz a hora, não espera acontecer”

Festival sempre é complicado. Por mais organizado que seja certa tensão no ar é inevitável. Atrasos, ausências, problemas técnicos (etc.) sempre acontecem, mas o importante é dar um “tchau” para tudo isso e se conectar no que importa num festival de música: a música & estar presente da forma mais total e aberta possível.

Se as pessoas se importassem com chuva, lama, excesso de público e outros – digamos - problemas, Woodstock não teria acontecido... O mais importante num festival é o envolvimento das pessoas que participam dele, o quanto estão dispostas a compartilhar emoções, informações, fluídos corporais e sonhos.

O som está rolando, o Dj Paranax toca um set tropicalista; sai de Caetano, passa por Tom Zé, Gal Costa, Gilberto Gil e vai até Mutantes... O público começa a chegar no Espaço Alternativo. Na entrada, exposição de obras dos artistas Wallace Garrani e Dimas Tattoo.

Como disse no início do texto, problemas sempre acontecem. Um inanimado pedal de bumbo de bateria tentou ser vilão, mas não conseguiu... Alguém diz:

- Vai dar tudo certo.

E deu. O Invernália – festival organizado pelo movimento de mesmo nome - foi coisa linda de se viver. O The Noons abriu o festival e colocou as pessoas para dançarem com direito a gritinhos histéricos ‘jovem guardistas’ na plateia. Ótimo show que anunciou os que estavam por vir.

A peça “Sonhos de Elevador” foi encenada pelo Grupo Desavesso. Sim! Paraisópolis tem um grupo de teatro independente! A peça - criada pelo próprio grupo - é uma metalinguagem do teatro, ou seja, usa o teatro para falar do próprio teatro. “Sonhos de Elevador” levou atores e públicos para mundos oníricos distantes de onde era possível ver este mundo com distanciamento teatral, poético e filosófico.

Em seguida, as portas do elevador abriram-se no show do “KIDS!” que mostrou estar em ascendência estelar e mais uma vez incendiou a pista. “Come on baby light my fire / Try to set the night on fire”.

A noite veio estrelada e o Bule Mágico apresentou um folk moderno, intimista e delicado.

Com um show calcado nos álbuns Refuse Resist, Chaos A.D. e Roots do Sepultura, o Murder Ride – banda de Trash Metal de Alfenas – fez a apresentação mais pesada do festival, promovendo um verdadeiro transe coletivo entre os headbangers.

A autoestrada do rock ‘n roll levou o público do Invernália até o show dos pousoalegrenses do Red ’n Black que destilou importantes clássicos roqueiros, recheados de solos de guitarra e viradas mirabolantes de bateria. No repertório: Led Zeppelin, Deep Purple, Kiss, AC/DC...

O melhor show da noite foi do Monkey Coffee de Pedralva. O som – um Sá, Rodrix & Guarabira envenenado com blues e rock progressivo – impressionou até os mais críticos da plateia. Vendo um show desse tipo, com músicos talentosos, com músicas próprias tão boas quantas as covers, não é difícil entender porque o rock não morre.

Fechando com chave de ouro o Invernália, Oszé de São Bento do Sapucaí mandou brasa e a juventude presente dançou até o último acorde e Paraisópolis teve um grande dia de rock, música, arte e liberdade de expressão.

Festivais independentes como o Invernália, É Vento na Praça e Festa da Camiseta Velha, tiram a cidade do limbo da rotina, possibilitam que as pessoas se encontrem, troquem experiências estéticas, sociais, sensoriais, artísticas e amorosas (por que não?)

Paraisópolis precisa evoluir, ir além da mesmice e dos modismos, construir sua própria identidade. Uma parcela da juventude já entende que é responsável pela verdadeira mudança no estado das coisas.

E você!? Vai ficar de fora dessa novamente? Afinal, pra não dizer que não falei das flores, “quem sabe faz hora, não espera acontecer”.
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