terça-feira, 14 de janeiro de 2025
Espectral Esquizo Club
⚡ Disponível no Bandcamp o feat. dos @os_postumos com #Z [@z3g3r]: "Espectral Esquizo Club"
terça-feira, 31 de dezembro de 2024
Vento Ancestral (2024)
#Z - Zeroidade [Analogic Live Set, 2024)
segunda-feira, 20 de junho de 2022
sexta-feira, 11 de março de 2022
::: Da lira ao delírio: um retrospectiva da produção artística paraisopolense em 2021 :::
A inexistência de um departamento independente de cultura não está sendo capaz de refrear o movimento criador dos artistas paraisopolenses. Os anos pandêmicos de 2020 e 2021 foram, do lado do poder público, anos de escassez de políticas públicas focadas, mas do lado dos artistas anos de reflexão, resistência política e criação. O projeto cultural, ou melhor a ausência de um projeto cultural nas mentes da extrema-direita no poder não tem força perante as correntes independentes e históricas da arte.
domingo, 13 de fevereiro de 2022
Em que ano estamos?
2022 é um ano especial para a cultura e para as artes no Brasil. No dia 13 de fevereiro a "Semana de Arte Moderna" de 1922 fez 100 anos. Reunindo escritores, poetas (Oswald de Andrade, Mário de Andrade), pintores ( Anita Malfatti, Di Cavalcanti, Vicente do Rego Monteiro), escultores (Victor Brecheret) e músicos, o evento rompeu com padrões estéticos e institucionais vigentes, traçando as linhas fundamentais da arte brasileira ao longo do século XX.
Em Paraisópolis, nenhum evento (nem mesmo virtual) sobre os 100 anos da Semana de Arte Moderna foi programado pelo setor responsável pela cultura. A política cultural no município parece estacionada no período pré-moderno mesmo com as louváveis tentativas de dinamizar o cenário protagonizadas, na primeira e segunda décadas deste século, por grupos como Clube do Trem e Coletivo da Esquina.
Se, por um lado, a dimensão institucional não consegue avançar em termos de política cultural, por outro lado os artistas paraisopolenses, bem como os artistas aqui radicados, se desdobram e procuram, num cenário de escassez de apoios, editais e eventos públicos, manter viva a criação artística e oxigenar o ambiente cultural.
Em 2021, assim como em 2020, diversas manifestações independentes foram veiculadas pelos artistas paraisopolenses em seus canais na Internet, rede esta que, aliás, tem sido o principal canal de comunicação entre os criadores e o público em Paraisópolis.
Hoje, com a descaracterização e enfraquecimento do Departamento de Cultura, fundido com Turismo e Lazer, ficou evidente a total falta de um projeto cultural para a cidade. Soma-se a isso a subutilização de espaços fundamentais como o Casarão das Irmãs Carvalho e o Centro Cultural Amilcar de Castro para a formação cultural dos cidadãos de todas as faixas etárias.
No passado recente, a construção de um anfiteatro para eventos culturais, palestras, cursos, etc., em um terreno nas proximidades do campo de futebol foi ventilada pela administração passada, mas, pelo menos por hora, revelou ser apenas o que, talvez, sempre tenha sido: promessa para manter as bases políticas na órbita dos discursos vazios do poder.
No âmbito burocrático, o município também não consegue avançar seu PMC (Plano Municipal de Cultura). Nem mesmo os nomes do atual Conselho Municipal de Cultura foram anunciados. Quem perde com tudo isso? 1) os artistas que ficam sem meios de qualificarem ainda mais seus trabalhos e apresentarem-se com constância; 2) os cidadãos que ficam sem acesso a um direito constitucional democrático fundamental: o acesso à cultura e aos bens culturais; 3) a cidade como um todo que corre o risco de perder suas tradições culturais bem como a possibilidade de suas vanguardas artísticas avançarem novos projetos.
A Semana de Arte Moderna de 1922 completou 100 anos em 2022. Em Paraisópolis, culturalmente em que anos estamos?
segunda-feira, 6 de setembro de 2021
:: A verde Folha da Serra ainda vive nos corações democráticos ::
Desejo que as nuvens da tempestade de sangue que se avizinham se dissipem mais rápido do que chegaram neste ... 7 de Setembro.
"Nosso límpido céu mudou de azul para cinza"
Luto para ser otimista, mas diante de um momento histórico como o que vivemos sou tomado de pessimismo e horror perante os quais sinto, todavia, que não posso deixar me abater.
segunda-feira, 19 de julho de 2021
::: Paraisopolenses, uni-vos! :::
O interessante da OPIS é que ela revela a existência de um pensamento de esquerda em Paraisópolis, mesmo entre quem jamais se imaginou estar à esquerda no espectro político. Um pensamento de esquerda, adiantemos logo, não vinculado a partidos políticos, mas um profundo pensamento de esquerda que se realiza coletivamente nos atos solidários.
Os que pensam à direita são conhecidos atualmente por abraçarem o ideário neoliberal e defenderem a propriedade privada, a iniciativa individual, a abolição dos direitos trabalhistas e previdenciários, o fim dos sindicatos, a privatização dos serviços públicos. Segundo esse pensamento, saúde, educação e moradia, por exemplo, não são responsabilidade de uma forma de estado social, mas unicamente do indivíduo. Margaret Thatcher, primeira-ministra britânica e símbolo desta forma de pensar dizia: “não há sociedade, só indivíduos".
Já um pensamento de esquerda, e aqui não me refiro a nenhuma organização política em específico, mas a um modo de encarar o mundo e a vida, tende a preocupar-se com o social antes do que com o individual. Segundo esta "visão de mundo" ("weltanschauung"), o estado tem um forte acento social e deve ser promotor e garantidor dos direitos sociais. A saúde, a educação, a moradia e o emprego são direitos sociais e devem ser garantidos e protegidos pelo aparato estatal.
Na OPIS algo ainda mais interessante pode ser verificado. A sociedade, o Estado na figura da Prefeitura, e os empresários se unem para um trabalho social, solidário, comunitário, fortemente coletivo.
Durante o evento, toneladas de alimentos são arrecadadas e redistribuídas, o que demonstra a operação de um princípio não apenas liberal (distributivo), mas comunista (redistributivo). O excedente dos que possuem mais vai para as mãos dos que tem pouco ou nada, eis a revelação do princípio econômico da Solidariedade.
A questão é se esse comunismo em potencial que se observa nas arrecadações de alimento, no trabalho coletivo, no trabalho feito voluntariamente e sem exploração, pode avançar para além dos três dias do evento e acontecer o ano inteiro e todos os anos.
Se essa utopia se realizar assistiríamos uma revolução em Paraisópolis e a cidade poderia dispensar a centralização do poder nos três poderes e construir uma sociedade sem desigualdades em que as pessoas se organizariam, como ensina a OPIS, desde a base. Já pensou?
“Um fantasma ronda o Paraíso – o fantasma do comunismo”.
Libertários
Baú
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